quarta-feira, 2 de junho de 2010

Marco, um marco

No meu aniversário do ano passado, minha amiga Pat resolveu inventar moda e, ajudada pela minha sobrinha Lara e por sua filhinha Luísa, comemorou aquilo que deveria ser meu marco zero, meu recomeçar. Sempre achei os marcos importantes, encorajadores, estimulantes. Mas, não podia imaginar que aquele aniversário com bolo de sorvete representaria o início de uma época tão feliz em minha vida. Mal sabíamos, até então, que menos de dez dias depois de assoprar aquela vela em forma de zero, eu conheceria, justamente, o Marco.

Antes dele, mesmo com coisas interessantes acontecendo na minha vida o tempo todo, a impressão que eu tinha era de que nada, absolutamente nada, mudava. Alteravam nomes, amores, trabalhos, carros, cabelos, roupas, mas eu continuava a mesma, na mesma. Mas, o Marco chegou atendendo meu pedido de ter um amor feinho, feito aquele de Adélia Prado. Um amor simples, como são os amores de verdade. 

Chegou plantando beijos e carinhos, fazendo o que não dizia e, igual fé, estava lá e pronto. Incontestável. Com uma simplicidade espantosa e confortadora, resolveu ficar. Pra sempre. Marco, o meu Marco Zero, me pediu em casamento na tarde do feriado do dia 24 de maio.

Passou quatro meses tentando achar um jeito romântico de me perguntar se eu gostaria de passar a vida ao seu lado mas, honrando seu jeito de ser, foi lá e fez: sem firulas, sem joelho no chão ou alianças caras. Tinha o olho brilhando de emoção, a mão levemente trêmula, mas firmeza ao falar do seu amor. Ele não sabia, mas nada podia ser mais 'feinho'.

Daqui a alguns poucos meses, vamos seguir nosso caminho juntos. E, a cada amanhecer, “plantar beijos de três cores ao redor da casa.”


Amor Feinho


Eu quero amor feinho.

Amor feinho não olha um pro outro.

Uma vez encontrado, é igual fé,

não teologa mais.

Duro de forte, o amor feinho é magro, doido por sexo

e filhos tem os quantos haja.

Tudo que não fala, faz.

Planta beijo de três cores ao redor da casa

e saudade roxa e branca,

da comum e da dobrada.

Amor feinho é bom porque não fica velho.

Cuida do essencial; o que brilha nos olhos é o que é:

eu sou homem você é mulher.

Amor feinho não tem ilusão,

o que ele tem é esperança:

eu TENHO UM amor feinho.