sábado, 6 de dezembro de 2008

Ingrediente

Encontrar poesia perdida em caderno velho é ainda melhor que achar dinheiro em bolso de roupa lavada. Essa - antiquíssima - eu escrevi num caderno de receitas:



Você nunca mais veio dormir comigo

quando nunca mais passou a ser seu abrigo

Mas eu também nunca mais dormi,

nem nunca mais sorri

verdadeiramente.

O ranço ficou para toda vida,

até nunca mais,


até que nunca mais

eu possa ficar sem você

em cada poro meu.

domingo, 30 de novembro de 2008

Minha vida com menos net

Pois é... tem muitas coisas que têm despertado minha vontade de escrever nesses últimos dias, mas tenho me obrigado a deixar passar. Na semana passada, cansada de sentir dores de cabeça e nos olhos, procurei um oftalmo e descobri que estou com ceratite, uma inflamação na córnea provocada pelo uso excessivo do computador. Além de encarar um das 8 às 18, chego em casa e tcharam: ligo o computador! O resultado disso foi um ressecamento dos olhos e, consequentemente, a tal ceratite.
Mas, gente amiga de minha terra, tem sido um bom exercício. Eu, que já aprendi a desligar a tv, agora estou me acostumando com a idéia de ficar sem a net. Logo eu, que andava dividindo o mundo em a.MSN e d.MSN. Tenho lido com mais frequência que a habitual, vi despertar minha vontade de cozinhar (é, ontem fiz um potão de pesto), minha casa está mais arrumada, meus cds em dia e, mais importante, ando à toa, sonhando e só.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

O crime acorda cedo

Já ouvi um monte de histórias sobre esse golpe que vem sendo aplicado por telefone, mas hoje eu fui a vítima. Acordei antes das 7 da manhã com o telefone tocando e, trêmula, constatei que a ligação era a cobrar. Tenho família que mora fora, irmãos adolescentes, enfim... um telefonema a essa hora da manhã não poderia inspirar coisa boa. Pensei, nos segundos que levaram para finalizar a gravação que anunciava a ligação a cobrar numa infinidade de coisas: meus irmãos acidentados um a um, problemas com pai, tio, avós, namorado.

- Alô

Tum, tum, tum...

- Mãeeee, mãeeeee, mãeee, fui assaltada mãe.

Silêncio.

Tum, tum, tum...

Não sou mãe, não tenho filha, é golpe.

- Mãaaaaaae, socorro mãeeeee.

- Filha da p!

Desligo. Coração disparado. Pernas trêmulas.

- Nossa, era a voz da minha tia Lazinha - pensei por um segundo, antes de lembrar que a mãe dela e minha avó já morreu faz tempo.

Sento na cama ainda muito perturbada e constato: se fosse a voz de homem ao telefone eu provavelmente ouviria a voz de um dos meus irmãos. Talvez não caísse no golpe, mas com sono e nervosa, certamente eu iria imaginar desastres antes dos minutos necessários para recobrar minha racionalidade. É cruel esse golpe. Sou jovem, mas imagino o telefone tocando na casa de uma mãe, com filhos reais e ausentes. Uma situação dessas pode matar e você pode até se julgar esperto, mas antes das 7 da manhã... é duro!

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Mantando a saudade de Philippe Geluck

Et des frites s'il vous plait monsieur, pour accompagner!

sábado, 15 de novembro de 2008

Seis anos de descuido divino

Saudades de minha mãe.
Sua morte faz um ano e um fato.
Essa coisa fez eu brigar pela primeira vez
com a natureza das coisas:
que desperdício,
que descuido
que burrice de Deus!
Não de ela perder a vida
mas a vida de perdê-la.
Olho pra ela e seu retrato.
Nesse dia, Deus deu uma saidinha
e o vice era fraco.
(Elisa Lucinda)

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Suando!

Absurdo dos absurdos da vida moderna! Foi isso que eu pensei quando me dei conta de que decidi suar!!! Sim, suar, de suor mesmo. Suar, essa coisa tão humana que, sem perceber, deixamos de fazer ao adquirir, sem parar para pensar, as inovações da indústria. Tudo bem que com esse calor infernal que faz em Goiânia a tarefa não é muito difícil, mas me sinto MUITO mais humana suando. Isso quer dizer que parei de uma vez por todas com os desodorantes que impedem de suar, carregados de alumínio e que fazem mal à saúde. Adotei os desodorantes naturais. Viva!

No início fui motivada pela implicância com o alumínio, substância bastante relacionada com a incidência de câncer, mas depois me veio naturalmente a reflexão do quanto estamos deixando de ser humanos. Não andamos mais, não comemos mais em casa, engolimos sanduíches, comida pronta e fast foods, passamos horas e horas de frente para o computador e, a cada dia, descartamos mais um hábito saudável em nome da pressa, da vida moderna. Estamos nos robotizando em nome dessa vida em que ter tempo pra pensar é luxo, desse capitalismo que nos instiga a produzir, produzir e que faz as pessoas se sentirem culpadas por se distraírem. Ando firme no meu propósito de viver. Viver com qualidade, de uma maneira mais próxima daquilo que se entendia por vida há algumas décadas.

Outro dia li a entrevista de um endocrinologista (ou era nutricionista???) recomendando que só se levasse pra casa aquilo que sua avó reconheceria nas prateleiras dos supermercados de hoje. Tem razão. A modernidade é excelente, facilita tudo e, claro, é muito mais confortável não suar. Mas, tente observar, na próxima vez que for ao supermercado, a quantidade de substâncias IRRECONHECÍVEIS em produtos banais que consumimos diariamente. Tente pensar um pouco: isso é natural???? Como alérgica a corantes e conservantes, pra mim foi inevitável mudar de vida, mas reconheço que é mesmo difícil abandonar uma Coca-cola ... Mas, se te consola saber, desodorantes naturais são eficientíssimos!

domingo, 19 de outubro de 2008

Eu acredito em estrelas cadentes


Filmes sempre mexeram muito comigo e alguns deles já me ajudaram a mudar de vida. Não, não quis ser jornalista só por causa do Superman, mas não sei até que ponto a Loys Lane tem a ver com isso. Mas, fato é que o cinema tem muito a ver com a minha vida... tem a ver com decisões importantes, com atitudes edificantes, com minha forma de viver. Minha mãe me deu uma aula de sexo vendo comigo - tudo programado - A lagoa azul. Riam, se quiserem, mas por mais que tenha sido duro pra mim (que só queria ir jogar bandeirinha na rua), sexo se tornou algo belo, leve, mais do que a qualquer outra coisa...

A Sociedade dos poetas mortos caiu como uma bomba na minha cabeça adolescente e altamente propensa a impulsividade. E acho que foi dos muitas comédias românticas (sim, eu amo!) que tirei coragem pra querer um amor de verdade e não uma ilusão ou algo mais parecido com conformismo (estou falando de amor real, hein?!). Chorei feito boba quando vi pela primeira vez Cinema Paradiso e entendi porque aquela tela grande sempre me fascinou. E quando minha prima Ineida me mostrou filmes fabulosos como Ata-me e O Matador, de Almodovar, Apocalypse Now, Lanternas Vermelhas e tantos outros grande títulos, sentia como se tivesse febre, como se reconhecesse na tela coisas que viviam latentes em mim.

Outras vezes, o contrário também acontece e vejo, como hoje ao assistir Banquete de Amor, conceitos tão meus refletidos em alguns personagens. Sempre (talvez seja muito dizer sempre) achei que o pior erro num relacionamento é supor que se conhece mais o outro que ele próprio. Nesse filme, o marido toma o fato de sua esposa - sabidamente avessa a cachorros - aceitar visitar um abrigo de cães como a cura de sua fobia. Ele resolve presenteá-la com um bichinho e comete o erro de ignorar a complexidade humana. Também me reconheci numa fala do personagem de Morgan Freeman quando ele diz: duas pessoas sabem quando se pertencem e também sabem - ainda que seja mais fácil ignorar - quando as coisas já começam erradas. A gente sabe. A gente sente. E é preciso ter coragem para aceitar, nos dois casos.

Enfim, acho que somos feitos de pedacinhos de coisas e pessoas que nos cercam... a calma do pai, a paixão pelo cinema da prima, a impulsividade da mãe, a franqueza aprendida com uma amiga, os gostos herdados de amigos, namorados, o estilo “roubado”de quem admiramos, a cultura emprestada de livros que lemos. Somos meio Frankenstein e, nesse universo Shelley, devo muito de mim a personagens do cinema que me fazem pensar, sonhar, me entristecer, chorar, amar a vida, as pequenas coisas, acreditar e, sobretudo, sonhar... já que é o sonho que permite amar. Ponto.