segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Minhas pontes são míopes


- Tia Nine, por que você vive trocando de tio?


- (Glup!) Porque a tia Nine quer encontrar o melhor tio do mundo pra você.

Acho que todo mundo sabe da grande paixão que tenho pela minha sobrinha, Lara. Mas, ela pode ser desconsertante. Essa característica, entretanto, me estimula a reflexão, me faz lucidar, passar a limpo meus pensamentos. Com esta observação inocente, essa menininha - que conheceu APENAS dois outros tios em seus quase seis anos de vida - me fez pensar no filme As Pontes de Madison. Apaixonado por uma dona de casa (Meryl Streep), o fotógrafo interpretado por Clint Eastwood tenta convencê-la a deixar a família alegando que a certeza do amor é algo que se tem apenas uma vez na vida.

Gente, como eu invejo aquela convicção. Fico me perguntando como é que as pessoas sabem disso, principalmente, no início das relações. Porque quando gosto "com força" de alguém, acredito, piamente, que é amor. Mas depois esse sentimento vai se transformando e aquela certeza se esvaindo até que que eu perceba que não estava tão certa assim. Nesse ponto eu já dei tudo de mim, já fui até o fim e fico com aquela sensação de que foi em vão, de que fui enganada pelos deuses. Me sinto como um cachorrinho que fez mil e uma estripulias por uma lingüiça de plástico.

Mas, também não posso dizer que gastei "eu te amos", que os tenha desperdiçado. Todas as vezes que um deles saía de minha boca era motivado por uma sensação legítima, ainda que equivocada. Porque o amor que acredito é o amor que dura, apesar de. Contudo, essa é explicação um tanto complexa pra minha sobrinha. Mas, é uma lembrança dela, ainda bebê, que vem ao meu socorro quando me angustio com o assunto, me perguntando porque um sentimento assim não chega pra mim como uma propaganda de refrigerante: MATE SUA SEDE!

Lara fala pelos cotovelos, numa profusão de palavras, ansiosa por recitar seus raciocínios. Mas, quando ela não conhecia mais que meia dúzia de palavras, registrava com palminhas toda sua felicidade cada vez que lhe dizia EU TE AMO! Olhos brilhando, sorriso largo e palminhas para aquela demonstração de amor que, julgávamos, não ser compreensível para um criança tão pequena.

Essa memória me faz pensar que amor não precisa ser dito pra ser compreendido. Não precisamos de “eu te amos” como garantia. A necessidade da certeza é, talvez, o que desanda a graça tão necessária a esse sentimento. Amor, seja ele o bom ou não, o “para sempre” ou "o provisório", precisa ser apenas aplaudido. Ponto. E palmas para os que têm coragem de amar, cegos pela incerteza; certos de que amar, com certificado de garantia, talvez seja mesmo coisa de filme.

11 comentários:

Luisa Dias disse...

Muitas palmas para que, em frente às pontes, se arrisca. Lindo o texto... Sumimos?

Marina disse...

Aline,talvez ainda não tenho chegado A hora. Mas as tentativas tb são válidas...:) Engraçado, qd comecei a namorar o digníssimo, eu já sabia, tinha plena convicção de que seria pra sempre, de que a gente ia casar, ter filhos...E esta certeza dava uma pontinha de medo tb...Pq era mt cedo, mas eu já sabia. Agora o tempo passou e eu estava mesmo certa...

Prospecção Novos Negócios disse...

Prezada Aline,

Mais uma vez parabenizo-a pelas belas palavras, sabiamente postadas numa linha de grande responsabilidade e com sentimentos.

Abraços,

Rogério Magno.

criadora de orquídeas disse...

Nina querida, ser DDA explica um pouco sobre a questao do AMOR em toda sua extensao. A GENTE AMA DIFERENTE PORQUE AMA EM PROFUSAO, COM A INTENSIDADE QUE OS OUTROS NAO INVESTEM e depois, com a mesma intensidade deixamos de amar, simplesmente. Amar para nos eh muito facil, basta abrir o coracao, mas tb deixar de amar basta um coracao ferido, mesmo que a ferida seja pequena, porque percebemos que realmente nao valia a pena. E o que nao vale a pena para o DDA ele esquece, depois de fazer xixi... como dizia meu velho pai.
Nao sei se fui compreendida, mas continuo querendo cuidar de vc...
Beijos com saber de saudaaaaaaades.

Deire Assis disse...

certeza que sim: é coisa de filme. acho, aliás, que a falta de garantia faz muito bem ao amor.

eu, hoje, "procuro um amor que seja bom pra mim..."

bjo lindona!

Jalles disse...

eu tbm penso que não desperdicei nenhum ''eu te amo'', pq na verdade nem foram tantos, mas o pouco que foi, foi bem dito hehehe
abraço

Anônimo disse...

Mais um texto, mais uma reflexão.. não tenho palavras para elogiar o seu post... simplesmente BELÍSSIMO..

bjs

MARCOS

Pablo Alcântara disse...

E eu já sabia antes mesmo de começar a namorar a digníssima. Lá pelos idos de 1997...

Gra Porto disse...

Sinta-se sortuda pela ponte míope.
E eu que ainda estou na era da balsa...
Mas eu acredito na evolução dos meios de locomoção.

Patricia Papini disse...

Eu preferiria pular das pontes a tê-las tão perfeitas quanto os amores de filme. E eu preferiria não compartilhar a sua amizade e sua vivência a estar com alguém cujo futuro está planejado em agendas. Continue se atirando cega e intensa, pois vc, como eu, é assim. E acho que isso faz parte da felicidade.

Márcio Leijoto disse...

Eu só disse "eu te amo" para três pessoas e nunca me arrependi ou depois descobrir q não era amor. Mas houve momentos em que os rumos se tornavam distintos. É aquele lance, do eterno enquanto dure.