Assim que fizer noite acenderei pequenas velinhas e as colocarei na janela. Vou reproduzir, ainda que solitariamente, uma tradição linda da minha infância. Eu morava numa cidadezinha pequena e charmosa e, todo dia 2 de fevereiro, assim que a noite caía, velas e candeeiros acesos eram dispostos nas janelas em homenagem a Nossa Senhora das Candeias ou Nossa Senhora da Luz. Me lembro de me debruçar no peitoril da janela pra ver a rua toda iluminada e, ainda que eu não soubesse que aquilo remontava à purificação da Virgem, acho que era, justamente pureza, aquela sensação que enchia meu coração.
Hoje eu sei que a festa começou há milhares de anos e lamento que ela seja rejeitada por boa parte da população. Na época de Moisés, acreditava-se que mulheres que davam à luz ficavam impuras e, por causa disso, deviam comparecer até 40 dias após o nascimento de seus filhos a um templo carregando oferendas como cordeiros e pombos. Quando Maria, mãe de Jesus, foi se purificar, Simeão teria dito que seu filho seria a luz dos povos, daí a origem da história.
Trombei de novo com a tradição de Nossa Senhora das Candeias quando morei na Europa. Por lá, a vela é dada a mulher mais jovem da casa, que representa a virgem. Vestida de branco e com uma grinalda de flores na cabeça, ela acorda as pessoas da família para comerem crepes. Com isso, os mais antigos pensavam garantir uma boa colheita de trigo. La Chandeleur é bem familiar e aprazível, ainda que a maioria das famílias se atenha simplesmente à feitura dos crepes.
Me incomoda viver numa cidade que ignora tradições e cuja religião é a novela das oito. Mas, como ladrar apenas não muda meu destino, hoje acenderei velas na janela...
Para sempre
-
Tem uma música do Legião Urbana que tem esse título, e tenho gravada em DVD
com Cássia Eller. "Mudaram as estações/e nada mudou/mas eu sei que alguma
cois...
16 horas atrás






