quarta-feira, 8 de abril de 2009

Até onde vai a sua fé?




Pra não fazer as vezes de intelectuerda ou de jornalistazinha-metida-a-besta procuro não cair em armadilhas simples e classificar rápido demais como mer....cadoria um livro, um programa, um estilo musical. É porque os intelectuerdas muitas vezes não valorizam o simples, o direto e, precipitados, perdem a chance de uma avaliação crítica das coisas.

Vejam o exemplo do cinema europeu. Eu adoro e acho burra aquela história de dizer que cinema europeu é chato, que as histórias não tem finais felizes etc. E eu pergunto: como fazer uma história de divórcio, por exemplo, ter final feliz? É a antítese do final feliz. Na essência! Mas, me desculpem pela volta, não são os próprios europeus que agora andam de olho no nosso cinema se perguntando por que a gente consegue contar histórias de um jeito simples e direto e eles não? Tudo isso pra dizer que acho perigosa a condenação intelectual rasa da qual os realities shows são sempre vítimas.

Pois é. Quando começou a onda dos realities shows eu pensei cá comigo: mer...cadoria. Põem um monte de aloprado lá dentro, que não tem nada pra dividir com ninguém e os bobos aqui ficam vendo briga besta e bunda! Mas, sou curiosa e fiquei na minha. Logo depois do primeiro programa (tô me referindo ao BBB, da Globo), passei três anos fora do Brasil e longe do que de início me pareceu porcaria. Daí voltei e me interessei pela febre dos realities. Claro, não dá pra dizer que é cultura! É entretenimento puro, mas eu a-d-o-ro! Não, dá pra esquecer persogens como o dr. Marcelo? kkkkk

Gente, já disse aqui que sou louca por gente. Adoro as reações, a personalidade, a complexidade do ser humano (pq eu não fiz psicologia, né?). E esses programas se tornaram um prato cheio para meu "estudo" da natureza humana. Gosto de observar quais são os valores aceitos pela sociedade, como e porque são punidas as pessoas, como se formam os vínculos, quais são os apelos, os esconderijos de cada um e como isso reflete em nós, nas nossas identificações, preconceitos e julgamentos.

Então, por que uma menina mimada voltou tantas vezes do paredão? Pra ser merecedor de alguma coisa é preciso ser ter uma história de vida sofrida? Ou é autenticidade que conta? Por que é que um cara que se diz jogador, que maltrata a namorada (incluindo chamá-la de gorda) ganha o programa? Por que a "santinha" saiu logo no começo? Por que o 'jogar limpo' e coerente de um jogador é visto como perseguição? Por que é aceitável uma jogadora prometer não indicar a outra, não honrar sua palavra e ainda sim se sair bem na fita? Quais são os porquês da nossa sociedade? O que valorizamos quando somos todos juízes?

Se eu participaria? Nunquinha-nessa-vida! Gostaria muito de ter creditado R$ 1 mi na minha conta, mas não nasci pra tanta exposição e nem preciso de pseudos-psicólogas como eu pra me dizer se sou amada ou não. Mas vou continuar vendo (inclusive aqueles interessantíssimos do People and Arts), mesmo que seja pra ficar decepcionada como nessa última edição do BBB.

3 comentários:

C r is disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
C r is disse...

concordo com vc..
adoro cinema europeu.. diferentemente da maioria das pessoas, eu amo aquele silêncio dos personagens e o detalhe dos instantes !
mas eu tb adoro bbb, e não entendo como gente tão complicada
(a não ser o ganhador) consegue ir pra uma final dessas...eu ainda acho que brasileiro não entendeu bem o sentido real do programa kkkk

Anônimo disse...

Faço minhas, suas palavras.
Pat