quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Yes, we can!


Fui duramente traída pela vida quando perdi minha mãe, há seis anos. Jovem aos 57 anos, magra, não bebia, não fumava, vivia uma vida tranqüila e andava 8 quilômetros por dia. Morreu no Dia da Independência do Brasil, assim, do nada. Mais tarde, fui apunhalada com a morte do meu irmão caçula, de apenas 24 anos, e por uma série de conseqüências - talvez as mais duras que eu já vivi - advindas disso. Mas, antes mesmo dessas tragédias pessoais, eu já colecionava algumas outras decepções e não foi com prazer que um dia entendi o significado real da palavra frustração. Enfim, como toda e qualquer senhora-todo-mundo, já vivi muitas coisas que poderiam me amargurar, vivi experiências dolorosas e muito difíceis de serem compartilhadas. Traições da vida que eu decidi perdoar, que resolvi encarar, esfregando com Omo e Kiboa as manchas que elas me deixaram.

Falo disso depois de ouvir a história de uma amiga distante que se revoltou com a traição do namorado e passou, ela própria, a trair. A nódoa que a traição deixou a fez desacreditar nas coisas boas, nas pessoas bacanas: pra não ser ferida, ela fere e vai assim perpetuando mágoas, encardindo ainda mais alma, se curvando sem lutar para a derrota. Saber disso me fez pensar sobre como as pessoas podem se ressentir tanto com a vida, a ponto de querer parar de viver. Entendo de dores, mas ainda me espanta a falta de fé. De fé no amor, principalmente!

Personagens humanos e fortes sempre me fascinaram e tudo isso me fez pensar no massagista Marcos Rodrigues, de 25 anos. Depois de muitas decepções amorosas, ele partiu para o ataque e, para tentar encontrar o amor da sua vida, resolveu espalhar pelas ruas de Campinas (SP), bilhetinhos com sua descrição e telefone. “Quero alguém que seja como eu”, disse ele para a reportagem do G1, com a qual me deparei em outubro do ano passado. "No currículo do românico que se diz “de aparência”, quatro namoradas e muitas desilusões. Com a última, ele calcula ter perdido R$ 10 mil. 'Eu comecei a pagar o aluguel dela, marcamos casamento e ela sumiu', diz um trecho da reportagem. Quer prova maior de confiança na vida?

No (ótimo) Comer, Rezar, Amar, a escritora Liz Gilbert conta a viagem feita pela Itália, Índia e Indonésia, na tentativa de se encontrar depois de um divórcio difícil. Em seu relato sincero, percebemos que o trajeto mais importante que ela fez foi pra dentro de si mesma quando, enfim, se perdoou e perdoou os caprichos da vida. Gosto de gente assim.
Já falei aqui da minha síndrome de Pollyana, mas acho que mais que a minha confiança irrestrita de que as coisas sempre terminam comme il faut, conta muito pra fortalecer esse meu jeito de ver a vida o meu ENORME instinto de sobrevivência. Preciso superar as dores, preciso passar pra frente, preciso urgentemente me adaptar SEMPRE porque, se a questão é viver, aí só vale se for pra ser bem FELIZ!

6 comentários:

disse...

Lindooo..

Juliana Faleiro disse...

Belíssimo o texto, eu li " O Segredo" que me ajudou a encarar a vida de uma forma mais positiva, mas nada melhor do que experiência de vida.
Aline lembra que você me falou do livro Polyana, pois é comprei o Polyana Moça!!!!!!!!!!!

Aline Leonardo disse...

Ju, não gosto de livros de auto-ajuda. Mas, se te fez bem, é o que vale.
bjos

Carlos sérgio disse...

Estava olhando um desses bons projetos literários na net e havia uma lista de blogs, tempo livre(raridade atualmente) e olhei alguns, li outros e quis comentar seu texto, tem sabor, acho q é isso. Boa sorte abraço.

Luciene Cruz disse...

Eu assino embaixo. E tenho dito!

manu disse...

Eu tbém amo livros, e o "Comer, Rezar e Amar" foi o melhor livro que li neste ano! Outro muito bom é de uma jornalista gaúcha Martha Medeiros, conhece? "Doidas e Santas" Muitoooo bom!!!!

Fica a dica!