domingo, 14 de setembro de 2008

Simplesmente Pat

Meus avós, tanto o materno quanto o paterno, eram homens geniais, cheios de histórias interessantes, fortes, marcantes. É difícil pra mim escrever sobre eles. Minha mãe, que morreu tão jovem e que me faz tanta falta, só aparece como pano de fundo nos meus textos, desabafos, enfim... também não sei se seria capaz de escrever sobre ela, sobre o que ela representa na minha vida. A sensação que tenho em relação a essas pessoas é que ainda que eu juntasse todas as palavras boas do mundo eu ainda seria injusta, que eu ficaria devendo.
Todo esse trelelê pra dizer que fico travada, dedinhos congelados quando tento expressar todo amor que tenho pela minha amiga Patrícia. "Amiga", vocês certamente estarão de acordo comigo, não descreve uma relação que mistura a irmandade, a maternidade, o companheirismo, todo bobeirol, a parceria, o bem-estar, o bem-querer, as broncas, o cuidado. Como descrever alguém que sonha junto com você ao invés de simplesmente torcer? Alguém que abraça suas causas como as suas próprias? Que chora suas dores? Como?
Estão vendo? Toda palavra é pouca. O que eu posso contar pra me fazer entender, ainda que parcialmente? Tá, vou tentar:
Eu sofro de apnéia e estava numa fase meio complicada, dormindo pouco, ansiosa. Ela me levou pra casa dela pra que eu não dormisse sozinha na minha e ficou lá me vigiando um tempão. Outra vez, estava arrasada com o fim de um relacionamento que eu, na época, julgava importante, e ela ficou comigo o tempo todo, chorou junto e - mais fofo -, me emprestou uma camisola linda e novinha só pra que eu me sentisse melhor. Recém-saída da adolescência, fui traída por um namoradinho idiota e, vendo o quanto eu estava ferida, ela se sentou no computador e escreveu uma carta pra ele e assinou por mim... coisa impagável e, depois, completamente hilariante!!!
Quando minha mãe morreu e eu perdia quilos como se fossem fios de cabelo, era ela quem vigiava minha geladeira, era ela quem me fazia papinhas de aveia, quem me obrigava a comer no mínimo seis Twixs por dia e quem comemorou comigo numa farmácia de Liège quando consegui chegar a 52 quilos! Era ela quem segurava meu desespero cada vez que me lembrava que minha mãe tinha partido.
Foi ela quem se meteu na minha vida - sendo ou não chamada - e sempre pra me fazer o bem. É ela quem me liga, com toda naturalidade do mundo, e diz: tô indo pra sua casa, tô insuportável e você vai ter de me aturar! E, mesmo nesses momentos, ela consegue ser tão adorável, tão maravilhosamente humana, bem-humorada e língua afiada, tão Pat.
Foi por ela que tive revelados meus piores defeitos... e sabê-los me doía, mas também me ajudava a extirpá-los. Foi com ela que aprendi a ser menos diplomática e mais fiel, mais verdadeira. Foi ela que me fez entender que mulherzinhas usam dourado e que não ficam menos inteligentes se optam pelo rosa... São dela as minhas confissões mais secretas, meus medos, meus anseios... porque, como acontecia com minha mãe, sei que nela não existem julgamentos pra mim.
A Pat é assim... tem essa simplicidade das pessoas que são grandes e que têm esse dom de serem maiores que os adjetivos que são seus por direito.

5 comentários:

Deire Assis disse...

bom ler, assim, coisas tão, tão, tão... (é, não tem nome mesmo isso aí) de alguém que conhecemos. bom demais amigos-irmãos...

Andrea Regis disse...

Terminei de ler o texto em prantos. Me fez lembrar da minha melhor amiga que está aí mais perto de você que de mim. Dela que já chegou a ficar sem falar comigo (e sofreu muito por causa desse rompimento) para que eu mudasse certos padrões de comportamento, à época, nocivos apenas para mim. Ah, como é bom esse tipo de amizade que funde num só caldeirão (mágico) amor, respeito, companheirismo e dezenas de predicados impossíveis de se listar.
Beijo, menina do coração lindo!
E para minha melhor amiga (que vai ler o texto, pois estou mandando pra ela agora): amo você!

Cássia disse...

Lindo e terno texto. Tão raras, mas tão raras amizades assim. Também me fez lembrar de minha melhor amiga, capaz de gestos tão grandes,de tão imensa generosidade e que foi morar longe. Em Londres... oh, ironia. rs

Luciene Cruz disse...

O que falar qndo nos identificamos total com a história? Qndo compartilhamos os mesmos sentimentos e emoções?
Qq palavra agora torna-se extremamente dispensável e inexistente!
Saudades absurdas!
Como gosto de vc dona Aline Léo!
Bjus

Juliana disse...

Oi Aline, não tenho uma história assim de amizade,pelo contrário me decepcionei muito com as pessoas, desde colegas de faculdade até amigas que eu considerava como confidentes. Amizade para mim significa a combinação de duas coisas: companhia e confidência absoluta.
Amizade esta quase impossível para mim. Mas ainda sinto que há uma luz no fim do túnel.