terça-feira, 9 de junho de 2009

Voando nos meus precipícios

Outro dia, refletindo profundamente sobre a minha vida, cheguei a conclusão que nunca levei nada muito a sério. Graças a Deus! Não perdi meu tempo, meu precioso tempo, tentando ser perfeita, tentando fazer tudo certo demais ou evitando errar. Faz tempo que aprendi o quanto é bom dar com a cara no equívoco porque é assim que melhoro como pessoa, é assim que me enxergo, que tenho uma fresta do meu espelho. Me permito, me dou o direito de viver sem o peso da perfeição. Talvez isso seja reflexo da minha personalidade impulsiva, mas andar de cabeça baixa para se antecipar a possíveis precipícios não faz, definitivamente, o meu estilo. Ou enfio o pé na jaca e vivo, simplesmente vivo, ou então, nada feito.

Na minha família é comum eu ouvir, por debaixo dos panos evidentemente, que eu sou muito “absoluta.” Absoluta, na ponta do lápis, significa imperioso, independente, único, sem peias nem restrições. Não pensem que o “absoluta” da minha família é um elogio puro, mas uma mistura disso com uma boa dose de crítica, afinal, minha família não é diferente das outras e talvez “preferisse” alguém mais tradicional. O problema é que a parte que eu gosto nesse latifúndio é, justamente, não ter peias ou restrições.

Não que eu seja irresponsável, ao contrário. Sempre fui boa aluna, boa filha, profissional, careta, não fumo, não uso drogas e sou até bem conservadora em certos aspectos. Isso pra explicar que não é de um estereótipo rebelde que falo. Nunca fui louca, nem jamais passei essa imagem. Mas, eles têm razão. Sou absoluta! Vivo a vida, com a urgência que ela tem. Não sou de igreja, mas tenho uma fé tão inabalável que a vontade de Deus é imperiosa, tenho uma certeza tão grande de que o melhor vai ser feito sempre, que não tenho outra escolha a não ser viver, bestamente, viver!

Mas, me enerva essa idéia de se precaver contra a vida. “Dê duas voltas antes de entrar na garagem; tome cuidado, não seja afoita. Guarde sua coragem na sacola e espere, você pode apanhar.” Óbvio e quase dispensável dizer que não ando com uma tapa na cara procurando erro a granel. E críticas, e alertas dos bons amigos são sempre bem-vindos. Mas errar faz parte da única ambição verdadeira que tenho: evoluir! Magistralmente, Clarice Lispector ousou dizer que se alguém a empurrasse de um precipício, ela diria:

E daí, eu adoro voar!

É com essa leveza que quero levar a vida: voando nos meus precipícios com fundos de mola!

4 comentários:

Deire Assis disse...

ah, nina... q lindo!

voe! voe muito!

Patricia Papini disse...

Darling, mas o que seria de você, se não fossem esses vôos ousados? Não seria, seguramente, essa pessoa que sabe de "quase tudo um pouco". Ser assim te fez ainda mais absoluta - verdade seja dita - e, positivamete, prefiro pessoas assim: que encaram. E, sim, vc bem disse, voar alto não significa voar irresponsavelmente. Mas voar com fé. E isso vc tem de sobra ...

Gra Porto disse...

Menina Absoluta, que vc possa voar cada vez mais alto!!
Tb adoro seu blog tá?
Bjo e um ótimo feriado pra vc!

Mônica disse...

"O melhor vai ser feito, sempre"!É isso mesmo, amiga! O seu texto é contagiante, me encheu de fé e das melhores esperanças!!!Beijos